Ontem choveu muito. Choveu desorientadamente, transloucadamente. Fiquei na janela vendo a dança ritmada dos pingos. Eles balançavam de um lado pro outro conforme o vento.
Foi lindo! Harmonioso, ritmado, singelo, belo de provocar sumo nos meus olhos.
Ao mesmo tempo os trovões surgiam com ira e clareavam toda a noite como se fizessem o fundo musical e o jogo de luzes para a dança da chuva. Não sei quanto tempo passei ali, naquela janela a admirar aquele espetáculo. O que sei é que senti uma emoção plena.
Observar Patcha Mama tem aflorado uma sensibilidade consciente em mim. A beleza dos amanheceres, a poesia dos entardeceres, a força do sol, a intensidade da chuva, a energia renovada a cada instante, o florescer, o perfumar, o morrer, o renascer. Os opostos interligados.
É amiga... com o tempo a gente aprende que a felicidade traz um pouco de solidão. Solidão doce, boa de sentir. Solidão de quem está vibrando em outra onda. Solidão de quem está se desapegando dos moldes, dos sentimentos nocivos. E de repente bate uma saudade no peito. Saudade, "esse amor que fica" de algo que não se sabe bem o que é.
Bob viajou demais. Deixo o resto da viagem só pra mim. Sem forças pra pedalar o velotrol. Rsrsrs
Beijos carinhosos.
(*) Autora: Rita Rosa nasceu em Itabira-MG - terra de Carlos Drummond de Andrade - gosta de escrever e divagar sobre os mistérios da vida, acredita em todas as formas de amor e por ele é movida. O céu a fascina e o final da tarde a alucina. É vidrada na lua, nas estrelas, nas galáxias, nas nuvens. Ama seus amigos e é fiel aos seus princípios. Há muito cansou da hipocrisia humana e tem evitadoo convívio de pessoas que não vibram na mesma faixa energética que ela. Segundo ela: "Sou a vida e a vontade de viver !"